Resumo:
Restringir o estudo de Oralidade e Letramento à Lingüística, e não analisar a função dessas duas práticas na sociedade é impossível. É fundamental atentar, primeiramente, aos usos da língua, não à forma ou à morfologia. A fala e a escrita são os dois focos formais da oralidade e do letramento, respectivamente, não tendo uma supremacia sobre a outra. A escrita, entretanto, por não ser adquirida naturalmente como a fala, ganhou status e prestígio, tornando-se um bem social desejável, indispensável à sobrevivência no mundo moderno. A supervalorização atribuída à escrita fez com que seus usuários mais leigos tornassem-se alvos de discriminação. Contudo, é equivocado acoplar alfabetização (domínio de leitura e escrita) a desenvolvimento, uma vez que estes nem sempre caminharam juntos ao longo da história. Apesar de a escrita ter ganhado tamanho valor, isso não fez a importância da fala ser diminuída. Ambas fazem parte da língua e tem usos singulares, cabendo ao usuário o dever de não confundir os contextos em que cada estrutura se faz mais conveniente. Não dicotômicas, as práticas de oralidade e letramento têm poder interativo, natureza social e potencial cognitivo, sendo ambas inerentes à comunicação.
Palavras-chave: Oralidade. Letramento. Fala. Escrita.