terça-feira, 7 de abril de 2009

Ilusões Perdidas

BALZAC, Honoré de. Ilusões Perdidas. Tradução e Adaptação: Silvana Salerno. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

As ilusões estão todas perdidas?

Honoré de Balzac viveu no momento em que ocorria a transição do Romantismo ao Realismo. A poesia sentimental perdia valor para a prosa de análise psicológica e social. A sociedade reconheceu-se digna de análise, tornando-se alvo de sua própria pena. Sendo um escritor do interior que se depara com as dificuldades de ganhar a vida como literário em Paris, Balzac apela para o jornalismo como fonte de renda para sobreviver. Assim, ao comparar a vida desse grande autor e o romance Ilusões Perdidas, percebe-se um quê de autobiografia no desenrolar da história.

Munido de experiência no ramo jornalístico, Balzac traz à tona redações movidas por interesses pessoais que menosprezavam a apuração dos fatos e a verdade. “Com a sua pena você pode destruir qualquer coisa, até uma obra-prima” (p. 167). “Um jornal não é feito para esclarecer, mas para bajular alguns, e arrasar outros” (p. 138). Sendo considerada por muitos como o Quarto Poder, a imprensa faz jus ao poder que tem.

Balzac criticou, impiedosamente, a sociedade da época, desmascarando a aristocracia vaidosa, capaz de tudo para derrubar os que tentassem ascender socialmente. Mostrou um jornalismo cru, repleto de inveja, trapaças e mentiras. Além da decepção de intelectuais honestos que trocavam sonhos literários por artigos vazios em jornais, levados por um instinto de sobrevivência. Tamanho desgosto, evidente em Ilusões Perdidas, faz com que o autor soe frustrado e desiludido com a sociedade, tornando-se incapaz de reconhecer os pontos positivos, como a divulgação da cultura, por exemplo, daquele jornalismo iniciante.

O pessimismo de Balzac é explicado pela própria vivência do autor e pelo pensamento da época, assim como o de Machado de Assis. Ambos foram escritores talentosos, pobres, cheios de sonhos, rodeados pela filosofia niilista. Encontraram tantas dificuldades para serem consagrados, que acabaram desiludidos por uma sociedade preconceituosa. Incapazes de ter uma visão otimista sobre ela, isso se reflete em suas obras.

“O jornal é um comércio que vende a informação que quer” (p. 138). E essa cena arrasada por Balzac não sofreu mudanças radicais, mesmo dois séculos depois. O jornal continua sendo uma empresa, e ainda é politicamente importante alienar a população com uma imprensa superficial, repetitiva e sensacionalista.

A mídia é fundamental para a população, e não se deve perder todas as ilusões. Os jornalistas da atualidade tratam a informação com mais ética e profissionalismo; intencionam aproximarem-se da verdade – ainda que muitas vezes sejam podados por editores e donos de jornais.

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