O bombardeio de futilidades na Terra do Consumo
A mídia tem o papel fundamental de propagar informação de qualidade ao maior público possível. Mas não, apenas, informar o cotidianamente trivial e sem profundidade – a mídia deve formar. Imagem, notícia, arte, propaganda. Todos atuam a serviço da mídia como instrumentos de comunicação; tais meios devem ser ocupados com mensagens verdadeiras e, por vezes, denunciadoras, para que suscitem ao pensamento crítico o consumidor midiático.
Consumo. Esse é o termo mais adequado para explicar a mudança de papéis da mídia. A informação, agora tratada como produto, só é fornecida pelos grandes meios de comunicação, se a venda em atacado for garantida. O consumidor, que busca entretenimento após um dia exaustivo de trabalho, é bombardeado com bastante diversão e futilidade em detrimento do conhecimento e da denúncia social. Se quem compra não exige qualidade, não é o fornecedor que se queixa do comodismo.
O compromisso com a verdade e com a crítica fundamentada à sociedade perdeu-se em meio à enchente de vulgaridades. É papel da mídia funcionar como serviço público à população; denunciar as falhas da estrutura social vigente é um passo primordial para que mudanças verdadeiras sejam alcançadas. A comunicação de informações vazias de conteúdo, no entanto, prejudica, diretamente, o aprimoramento do olhar crítico do cidadão sobre a sociedade.
A transformação da imprensa em grande negócio capitalista é o principal fator para a alienação do consumidor midiático. Ao estar rodeado por uma mídia de fácil consumo, esse consumidor perde o tempo da reflexão para o montante de informações proveniente da imprensa que é engolida sem precisar mastigar.
A mídia, que deveria formar cidadãos críticos, comunicar informação de qualidade e estar disponível à população como serviço público, muda aos poucos seu papel por estar inserida num contexto capitalista. Os meios que se comprometem com a verdade e com a propagação de conhecimento perdem espaço, cada vez mais, por não possuírem uma lógica de mercado intrínseca. A arte, o cinema e a música parecem pequenos indefesos perto do glamour das novelas e dos reality shows. Enquanto o cidadão não for estimulado a sentir prazer através do consumo de conhecimento, a mídia continuará em crise, assim como os valores do mundo.
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